quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Estado paralelo e vontade de poder

O estado paralelo criado pelo crime é objeto de muitas reflexões. Penso que o ponto de partida para pensar o que significa o crime na contemporaneidade requer muito mais do que reflexões sociológicas. É uma raiz histórica que, na minha modesta opinião, beira a pontos irreversíveis.

O homem é pura vontade de poder já disse o eminente e polêmico filósofo alemão Friedrich Nitzsche, o que isso significa? Significa que o homem é um ser que busca o poder e sua satisfação a todo o instante, é um eterno seguidor daquilo que vai te dar mais poder, a ambição natural da vida, que é vencer. O homem já nasce com um propósito, de ser o melhor, de ter o poder.

A herança histórica brasileira herdada pela luta das classes em busca do domínio, a subjugação dos escravos e também a exploração demasiada do território brasileiro por parte dos colonos europeus colaboraram para a formação da nação brasileira e o que ela é em sua atualidade. Se é que podemos chamar de nação, já que este termo significa a união de uma coletividade em prol de um sentimento moral, em prol de um costume, existe isso no Brasil, como um todo?

Sem perder o fio da meada, através do que foi exposto no parágrafo acima, percebemos o que a sociedade atual herdou na formação histórica desse país. Os grupos criminosos nada mais são do que pessoas em busca do poder hoje concentrado numa burguesia que também comete delitos, em grande parte, mas que detém os meios de não ser incriminada. Políticos, não todos, ridicularizam cada vez mais a imagem enferrujada do Brasil mundo a fora com seus atos corruptos. Por outro lado e com a mesma ambição de poder, traficantes se aglutinam e cercam territórios nos morros e favelas das grandes cidades, mandam e desmandam, matam e enrriquecem: é o poder dentro do poder. Para eles, a busca pelo poder só tem uma saída, a porta do crime.

O estado paralelo nada mais é do que uma vontade de poder, uma dialética que vai descambar numa sociedade cada vez mais maculada pela disputa em dentrimento do sentimento altruísta, que é um valor humano. Nietzsche estava certo, a vontade de poder nunca vai deixar de existir, até a raça humana se dizimar por si mesma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário