quarta-feira, 31 de março de 2010

Monólogo de um Espírito

Me disseram, eu aceitei.
Me falaram, eu notei
Me acertaram, eu chorei
Me mataram, eu voltei.

Me disseram, eu ouví
Me arrumaram, eu partí
Me consumiram, eu ví
Me aceitaram, eu sorrí.

Me ensinaram, eu aprendí
Me trataram, eu partí
Me rezaram, eu vim
Me acalmaram, eu aqui.

O espetáculo BBB e o povo brasileiro

Ontem o Brasil parou na frente das telas de TV, Computador, celulares e afins para assistir ao espetáculo da grande final do Big Brother Brasil. Após o veredito de Pedro Bial sobre o novo milionário do pedaço eu pude perceber o quanto as pessoas 'amam' o programa. O brasileiro é assim, gosta de tudo com o que se identifica, em sua maioria.

Gritos e alegria se misturaram com gritos de repúdio após a sentença de que o sujeito de estereótipo machão foi o vencedor da edição décima do reality show da Globo. Foi uma verdadeira comoção nacional o acompanhamento do confinamento final dos brothers da casa, o que registrou, segundo a Globo, a votação recorde da competição em todo o planeta. Como se isso fosse motivo para alguma comemoração, um triunfo, uma vitória que vai dar ao país uma transformação social.

Por outro lado, ao acompanhar tais fatos, eu me pergunto. Será que o brasileiro vai encarnar com unhas e dentes os andamentos dos políticos que vão concorrer nas próximas eleições executivas em 2010? Será que o Brasileiro vai literalmente correr atrás de seus direitos e se unir para escolher um motivo melhor para suas vidas como se uniram para votar no BBB? Eu acho que não, pois o espetáculo acabou. Agora vem a era das propagandas políticas e tudo volta ao normal.

O BBB é o que o povo gosta de ver: a disputa, as insinuações, as armações e as brigas. Por isso que temos o país que merecemos, ou que a maioria merece, onde reina a falta de o mínimo de intelecto e atitude para mudar os rumos desta nação malograda pelas injustiças. O povo gosta do espetáculo e de assistir a disputa dos 'animais' pela grana como nas arenas antigas em Roma onde os gladiadores lutavam por suas vidas ao invés de lutar por seus direitos mais básicos.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cotas

Eu tenho acompanhado o debate sobre as Cotas para estudantes negros nas universidades. O que me parece é uma acirrada guerra ideológica e de interesses por parte da mídia, dos políticos e também de pessoas que ocupam certa proeminência social a cerca do assunto.

Eu não vou escrever um texto grande porque o debate já está aí na mídia para cada um se posicionar do jeito que bem entende. O que eu questiono é: As cotas vão corrigir um erro histórico-social secular? As cotas não excluem os negros e os rotulam como incompetentes numa sociedade democrática como a nossa? As cotas não prejudicam os brancos pobres que labutam nas escolas públicas do país?

Penso que esse assistencialismo hipócrita só vai tornar a nossa sociedade cada vez mais dividida, racista e preconceituosa. Essa é minha singela opinião.

terça-feira, 9 de março de 2010

Cansaço x Obrigação.

Penso que todas as pessoas desse imenso e maiúsculo planeta já sentiram essa disputa diária entre o cansaço e a obrigação. Um é limitado, natural, latente na carne e patente na face desfigurada pelo tempo consumido. A outra é voraz, ditadora, inexorável e inflexível: Com ela é ou não é.

O dia passa e a cama se torna o objeto (ou local se assim preferirem) de maior desejo de toda a obra somática. A reposição de energias é parceira da cama e vice-versa. Há quem diga que não? Penso que não; essa é minha singela opinião. O cansaço rivaliza com o tempo, e o pior, ao mesmo tempo com ele este cresçe, se fortaleza e a carne humana e suas entrâncias se tornam vítimas fáceis sobretudo subjugadas por suas limitações naturais.

Limitações que rivalizam com a obrigação. Esta Senhora que determina por onde devemos enveredar com nossas escolhas individuais personalíssimas. A obrigação rivaliza com as limitações e faz estas últimas se parecerem cada vez maiores. Como Freud disse que somos feitos de carne mas vivemos como se fôssemos de ferro. O tempo passa a labuta voraz nos consome cada vez mais no nosso dia-a-dia.

A vida contém essa eterna disputa e vai ser assim em doses cada vez maiores com o passar dos anos com nossos filhos, netos, bisnetos e subsequentes gerações. Uma eterna antítese entre nossas limitações e obrigações. A tendência é nos equilibrarmos sob a linha tênue que separa o cansaço e a obrigação.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carne e osso, Ferro e osso

O cheiro da pele que se espalha pela epiderme e a pigmentação da derme demonstra as nuances de nossa carne. Ela, tão sofrida, consiste em protetora de todo o nosso corpo. Vivemos e somos de carne. Com o passar do tempo esta mesma carne tem sofrido: Com o calor crescente, com produtos que não se adequam a sua textura natural e também com os apetrechos que muitos gostam de aderir à forma corporal que nos foi dada pela natureza.

A famosa frase de Freud explica o processo: "Somos feitos de carne mas vivemos como se fossemos de ferro". Os limites do homem como de carne e osso não são mais os mesmos. O homem não é tão sentimental como antes. O romantismo foi o ápice desse processo de viver a vida emotivamente, a flor da pele, com o sentimento da carne.

Hoje o homem vive a vida como se fosse de ferro. Tem que encará-la como uma guerra e como se sofresse tiros a bala de ferro. Hoje não somos mais homens feitos de carne e osso, somos os super-homens que sobrevivem em pele de ferro e osso duro de roer.